Cuidados com a alergia alimentar

Projeto retrata o “antes e depois” de crianças que nasceram prematuras
28 de dezembro de 2015
20 maneiras de divertir-se com seu filho
29 de dezembro de 2015
Mostrar tudo

Cuidados com a alergia alimentar

Quando Laura nasceu, a bancária Carla Kirchner Oliveira Bento desconfiou que a saúde do seu bebê não estava bem. A menina tinha constantes refluxos, vomitava pelo nariz e sofria com falta de sono e febre, mesmo sem ter qualquer tipo de infecção. A angústia durou um ano e três meses, quando uma médica de Curitiba descobriu a causa dos sintomas através de uma endoscopia: hipersensibilidade gastrointestinal a alimentos, provocada pela Síndrome Enterocolite Induzida por Proteína Alimentar (FPIES).

shutterstock_98354021Segundo a nutricionista e autora do “Guia do Bebê e da Criança com Alergia ao Leite de Vaca”, Renata Pinotti, estima-se que 6% das crianças menores de três anos e 3,5% dos adultos apresentam algum tipo de alergia alimentar. A FPIES é uma das variações dessas alergias que aparece nos primeiros meses de vida e é disparada por alimentos potencialmente desencadeadores como leite ou soja. A criança portadora da síndrome normalmente apresenta vômitos repetitivos, diarreia, inflamação intestinal grave e em alguns casos, a complicação dos sintomas pode evoluir para desidratação aguda.

Hoje, com três anos, Laura segue uma dieta especial. Ela tem alergia comprovada ao leite e ao amendoim. Além disso, feijão e carne de porco foram retirados da sua dieta. “Não saímos de casa sem a marmita dela”, conta Carla. “A única coisa que ela pode comer fora é a batata frita do McDonald’s que é preparada sem os produtos que provocam a alergia”, revela. Outro desafio para a família é a dificuldade que encontram em ir a festas, onde nem sempre é possível saber os ingredientes utilizados no preparo dos quitutes. Por isso, no último aniversário da menina, Carla fez questão de preparar tudo livre de qualquer resquício de leite e soja.

Para famílias de alérgicos alimentares como Laura, o simples ato de ir ao supermercado fazer compras é encarado como um desafio. A cerimonialista Catheryne Prá de Almeida Jednoralski, mãe de dois meninos, um deles com alergia alimentar, diz que antes de consumir o que compra precisa entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para ter certeza de que os produtos não contêm traços de alimentos que possam provocar reações alérgicas.

Para facilitar o acesso a essas informações, foi criada a campanha #poenorotulo. O projeto tem como objetivo mostrar à população não alérgica, a necessidade da rotulagem correta de alimentos alérgenos, como leite, soja, ovo, peixe, crustáceos, amendoim, oleaginosas, entre outros. Nas indústrias há uma prática comum de compartilhamento de maquinário para a produção de vários produtos. Esse compartilhamento pode resultar na contaminação cruzada e provocar reações no alérgico alimentar. “Temos muitos cuidados em casa também. Separamos a esponja de lavar a louça, os talheres e os pratos. É tudo novo, comprado para não corrermos o risco de contaminação cruzada”, afirma Catheryne. baby04

Entre as iniciativas que se destacam pela luta ao direito à informação, está o debate que o Senado iniciou no mês de maio sobre o projeto de lei 155/2014, de autoria do senador Antonio Carlos Valadares, que determina que os rótulos de alimentos informem a presença de substâncias potencialmente alérgicas em sua composição. Outra ação importante para as famílias é a troca de experiências em grupos de redes sociais. O grupo do Facebook “Alergia ao Leite de Vaca – Joinville e Região” conta atualmente com mais de 70 mães e pais de crianças alérgicas que participam e discutem sobre a realidade de quem sofre com a doença.

“Quer trocar informações e compartilhas experiências sobre alergia alimentar? Acesse a página do Facebook Alergia ao Leite de Vaca – Joinville e Região”

Falta inclusão

Manter o controle alimentar das crianças nas escolas é uma das tarefas mais difíceis para pais e mães. Carla e Catheryne relatam que lutaram para que os professores das creches entendessem as limitações das crianças. “Eles não são nada informados sobre a doença e me disseram que meu filho ‘precisa ter contato com tudo para adquirir imunidade’. Tentei explicar que a saúde dele depende única e exclusivamente de evitar todo e qualquer contato com os alergênicos e eles alegaram ser muito difícil. Resumindo, nós o tiramos da instituição”, explica Catheryne.

No “Guia do Bebê e da Criança com Alergia ao Leite de Vaca”, a nutricionista Renata Pinotti dá algumas dicas para educadores. A primeira delas é não tratar a criança de modo diferente, apenas prestar atenção no que ela consome e manuseia. É importante também explicar para os colegas que a alergia é uma necessidade diferente de alimentação e não isolar os alérgicos alimentares na hora das refeições.

Intolerância alimentar

Existe muita confusão em torno de alergia e intolerância. Enquanto a alergia envolve o sistema imunológico da criança, a segunda é a falta de uma enzima necessária para digerir determinados alimentos. O sintoma mais frequente é a diarreia.

Diferente da alergia, quando a criança tem intolerância é possível que ela não tenha problemas ao consumir pequenas quantidades do que provoca a reação. Por isso, em alguns casos, não é preciso a exclusão completa daquele alimento de sua dieta.

 

Mariana Woj
Mariana Woj
Sou jornalista por profissão, editora da Revista Babies, casada com o Leandro e apaixonada pelo coração cheio da amor que adquiri desde que me tornei mãe do Ben,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *