Família Pop Rock

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Família Pop Rock

No ano passado, o apresentador e colunista Marcos Piangers lançou seu livro O papai é pop inspirado em sua relação com as duas filhas, Anita, 11 anos, e Aurora, 4. O sucesso foi tanto que, a convite da editora, sua esposa, a jornalista Ana Cardoso, lançou a sua versão. Agora, em A mamãe é Rock, nada de mães perfeitas e mimimi. O livro fala sobre mães de verdade e toca do início ao fim o ritmo que só as mulheres com filhos entendem. Confira o bate-papo superlegal que tivemos com a autora.

Revista Babies: De onde surgiu a ideia do livro?

Ana Cardoso: Sempre escrevi sobre as meninas e questões ligadas à maternidade e ser mulher. O livro nasceu da ideia do meu marido de colocar alguns textos meus no seu segundo livro (O Papai é Pop 2). Esbocei algumas crônicas no bloco de notas do celular e enviei a ele. Ele deve ter gostado, pois encaminhou para o editor e ambos me responderam que eu teria o meu próprio livro.

Revista Babies: A quem ele é destinado?

Ana Cardoso: Principalmente às mães, mas leitores homens são muito bem-vindos nesse mergulho sincero na maternidade. Eu escrevi pensando em mães que estão cansadas, querem chorar, gritar, sair correndo às vezes e não se sentem à vontade sequer para admitir isso para si mesmas. Quero que as mulheres leiam e pensem: eu também sinto isso. A cada gargalhada ou lágrima de uma mãe nasce um unicórnio. As mulheres precisam ser mais gentis consigo, sentir menos culpa e se cobrar menos.

Revista Babies: Várias mulheres reclamam do marido pela falta de parceria na hora de cuidar dos filhos. Como é ter um papai pop em casa?

Ana Cardoso: É muito bom. Acho lindo o Marcos ter iniciado esse movimento de empoderamento dos pais, de mais amor na criação. Um papai pop não nasce pronto, não vem de fábrica assim. Pode ter certeza que se ele aprendeu a participar mais foi porque eu delego, não acho que tenho que fazer tudo, admito que estou cansada, sem paciência, que quero sair com as minhas amigas e por aí vai. Mãe que faz tudo acaba excluindo o pai do processo. Quem paga por isso é a família toda.

Revista Babies: Vocês optaram por dar as suas filhas uma infância marcada por elementos simples (sem tv, alimentos naturais, roupas de brechó). O que pretendem transmitir com isso?   

Ana Cardoso: Essa opção não é racional, a gente é assim. A gente não liga para status, nos sentimos livres de não termos que comprar determinado produto para nos sentir parte de algo. Queremos muito que elas entendam que a felicidade está atrelada à liberdade e não a ter coisas, gastar dinheiro e se endividar.
Revista Babies: As mães modernas sentem muita culpa, como você lida com esse sentimento?

Ana Cardoso: Me tenho em alta conta. Sou mãe, mas antes disso, sou um160701-familia_pop_rock-91a pessoa. Eu passo muito tempo com as meninas, então me sinto com crédito. Faço o melhor que consigo para ensinar, ser legal e não brigar muito. Quando surge alguma problema, não me responsabilizo. É um trabalho diário inclusive desconstruir isso com elas. Às vezes a Anita não faz o tema e chora, briga comigo. Eu friamente respondo que não está no meu escopo fazer lição de casa ou vigiá-la o tempo todo. Ela tem 11 anos e tem as suas responsabilidades. Eu não aceito que transfira a culpa pra mim.
Revista Babies: Quais dicas dá para mães conseguirem aproveitar mais essa fase com crianças pequenas?

Ana Cardoso: Crianças são uma companhia maravilhosa, doce, engraçada. Diria que conversem com seus filhos, desenhem junto, ensinem eles a cozinhar, expliquem o mundo. Abracem e beijem muito e, de vez em quando, deixem eles pularem o banho e durmam abraçadas com a prole. É muito bom.

Revista Babies: Qual sua maior preocupação como mãe?

Ana Cardoso: Nada que me tire o sono, mas me preocupo com a Anita. O mundo é tão violento e perigoso com as mulheres que eu quero protegê-la. Passo muita informação para ela.

familia_poprock-73Revista Babies: O que é preciso para ser uma mamãe rock?

Ana Cardoso: Toda mãe é rock. Ser rock é tão compulsório quanto a própria maternidade.
Revista Babies: Como espera que suas filhas lembrem da infância?

Ana Cardoso: Como uma época que sentiam felizes e amadas. É engraçado isso, quando a gente tem uma infância legal e se sente acolhida, levamos isso pra vida. Nos tornamos adultos seguros e felizes, sem romantizar a infância que tivemos. Todo dia é dia de ser feliz. De respeitar o próximo e tentar tornar a nossa própria vida, a vida dos todos e o mundo um pouquinho melhor.

Fotos: Mateus Bruxel e Giselle Sauer

 

Mariana Woj
Mariana Woj
Sou jornalista por profissão, editora da Revista Babies, casada com o Leandro e apaixonada pelo coração cheio da amor que adquiri desde que me tornei mãe do Ben,

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