Melancolia diante do berço

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Melancolia diante do berço

Fala-se muito do lado positivo de ser mãe, porém existem sentimentos diferentes da felicidade que rondam esses primeiros dias. Para falar sobre isso, conversamos com a psicanalista e autora do livro Da gravidez aos cuidados com o bebê, Anna Mehoudar.
Revista Babies: O que é e normalmente qual o período que o baby blues acontece?
Anna Mehoudar: A tristeza materna ou “baby blues” costuma acontecer na primeira semana pós-parto e ter uma duração de 15 a 20 dias. É um choro fácil que acontece com 8 entre 10 mulheres. As mães adotivas também vivem o “baby blues”, o que nos mostra que não é apenas o banho hormonal, mas a própria presença do bebê que provoca alterações.

 

Psicanalista e autora do livro Da gravidez aos cuidados com o bebê, Anna Mehoudar

Revista Babies: O que acontece com a mãe no baby blue? 
Anna Mehoudar: Há um sentimento de incapacidade para cuidar do filho, embora cuide com responsabilidade; Crises de choro, sem motivo aparente, ou choro quando o bebê chora; Mudanças repentinas e frequentes de humor; A tristeza, o cansaço e a irritação convivem com a alegria e mesmo a euforia; Sente-se presa e teme ter perdido a liberdade para sempre; Teme que o corpo não volte à forma anterior;

 

Revista Babies: Existem maneiras de evitar ou amenizar esses pensamentos?
Anna Mehoudar: O baby blues é um ajuste necessário do psiquismo, um processo de adaptação ao novo papel. Muitas vezes as mães ficam hiper-excitada e mesmo exaustas, e não conseguem se desligar do bebê. O parceiro, a família e a própria mulher chegam a duvidar que consiga dar conta da maternidade. Mas é assim mesmo. No mesmo dia, ou em alguns dias tudo muda.
Revista Babies: Como o companheiro pode ajudar?
Anna Mehoudar: O primeiro passo, para as pessoas que cercam essa mulher, é entender que esta reação está longe de ser uma frescura ou fraqueza. É um comportamento involuntário. Da mesma maneira inesperada que vem o baby blues também se dissipa sozinho, em geral depois de 15 ou 20 dias. Ajude coordenando as tarefas da casa e fique com o bebê para que a mulher possa descansar.
Revista Babies: O que acontece para a mulher se sentir tão assustada diante desta nova realidade?
Anna Mehoudar: No início tudo é muito estranho e a mulher precisa de tempo para acomodar essa nova realidade. A mulher, e também o homem, vivem uma crise psicológica. Uma crise de identidade. Em 9 meses a mulher confirma a gestação e um bebê se aconchega no seu colo, para sempre. Nesse cenário, cursos na gestação podem ser fundamentais.
Revista Babies: O pai também pode se deprimir? São os mesmos sintomas femininos?
Anna Mehoudar: Quando nasce um bebê tudo muda e alguns homens sofrem com os novos tempos. Eles temem perder a liberdade, a mulher, amante, parceira, companheira. Temem responsabilidades sem fim. Pouco divulgada, a depressão após o nascimento do filho acontece com 10 a 15 % dos pais. Alguns não conseguem encontrar o seu lugar junto à mulher e o bebê, o que não é lá muito fácil. Outros não tiveram boas experiências com o próprio pai e não sabem o que fazer. Mergulhar no trabalho ou sair para se divertir, como adolescente, não deixa de ser um sinal de que o pai precisa de ajuda para encontrar o seu lugar. Veja o que muitas vezes pode acontecer: Indiferença e/ou desinteresse pelo bebê; O homem cobra maior atenção da mulher; Mostra indiferença e/ou desinteresse sexual súbito; Tem crises agudas de ciúmes; Irritabilidade e/ou dores no corpo; Sonolência intensa; Há um “faz de conta” de que nada mudou e, no extremo, o homem nega a paternidade. Como ajudar? Os homens precisam de atenção, assim como as mulheres e os bebês. É importante que o casal abra espaços no dia a dia para conversar e alimentar sua intimidade afetiva.
Revista Babies: Existe a necessidade de procurar ajuda de um profissional?
Anna Mehoudar: Quando o homem ou a mulher entram em sofrimento, com pensamentos repetitivos ou uma dificuldade de lidar com o bebê ou com o dia-a-dia, é o caso de marcar uma consulta com um psicólogo. A chegada de um filho(a) pode ser acompanhada de grande ansiedade, sofrimento psíquico, perturbações psicossomáticas, desacertos conjugais e familiares. O atendimento psicológico ajuda a identificar os distúrbios que podem afetar a construção da maternidade e paternidade, e a capacidade da mãe de cuidar de si mesma e de oferecer os cuidados básicos à criança. O atendimento psicológico também é indicado para pais com filhos com doenças congênitas ou adquiridas, e para os pais em luto perinatal e puerperal. Dar conta do dia-a-dia implica em preciosa oportunidade de crescimento.
Revista Babies: Logo que a criança nasce muitas pessoas dão palpite de como cuidar dela. Precisa ser feito um filtro? Como os pais podem acreditar que estão seguindo o caminho correto?
Anna Mehoudar: O bebê é o grande termômetro. No início o mais indicado é que apenas uma pessoa cuide do bebê e estabeleça a sua rotina. Assim ele começa a desenvolver um sentimento de confiança. No primeiro e segundo ano de vida, assim que uma rotina se estabelece, o bebê já exige sua reformulação. Ele cresce muito depressa e novas soluções precisam ser encontradas. Em relação aos avós cabe uma boa conversa, mesmo porque eles podem ajudar muito e os pais precisam de ajuda.

Mariana Woj
Mariana Woj
Sou jornalista por profissão, editora da Revista Babies, casada com o Leandro e apaixonada pelo coração cheio da amor que adquiri desde que me tornei mãe do Ben,

1 Comentário

  1. Joveli disse:

    Oiie tudo bem? amei o assunto.

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